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segunda-feira, outubro 08, 2012

Verdades indesejadas das eleições

Um texto escrito pelo jornalista Juremir Machado da Silva e postado no jornal Correio do Povo em 08.10.2012.

''Anunciaram que a influência de Lula estava esgotada.
O ex-presidente levou Fernando Haddad, um desconhecido insosso, ao segundo turno.
Anunciaram o fim da polarização entre PT e PSDB em São Paulo.
José Serra e Fernando Haddad estão no segundo turno.
Anunciaram o declínio do PT no país.
O PT fez o maior número de prefeitos do Brasil.
E a maior bancada de vereadores de São Paulo.
Anunciaram a derrota de Hugo Chávez, líder populista com forte tendência autoritária e um histórico de melhorias para a vida dos mais pobres, na Venezuela banhada em petróleo.
O bolivariano emplacou mais uma vitória nas urnas.
Definitivamente a mídia só dá bola fora.
Confunde seu desejo com análise da realidade.
O comentarista neutro, franco-atirador, só observa o festival de balas perdidas."





terça-feira, junho 07, 2011

A covardia e o cinismo do PT


O ex-presidente Lula arrastou um peso morto durante os seus dois mandatos inteiros: o PT. Quase todas as confusões que a mídia armou para cima do governo anterior se deram graças ao partido, com destaque para o mensalão. Lula, porém, salvou o PT e o manteve no poder. Lula sempre foi maior do que o seu partido. Todos reconhecem isso.
Mas quando é para ajudar o seu próprio governo, ou o PT pesa ou se omite, ou seja, não se furta a ser sempre o protagonista dos escândalos ou, então, cisma de posar de “partido da ética” quando se sabe que esse título, hoje, está tão fora do seu alcance quanto de qualquer outra agremiação partidária.
De novo, Eduardo Suplicy e o resto das marionetes “éticas” do PT sempre dispostas a dar à mídia o que ela quer – ainda me lembro de Suplicy ajudando as “meninas do Jô” a esculhambarem o seu partido e o governo Lula. A lista de covardes e cínicos que só querem a parte boa de militarem no partido do governo mas se omitem ou até ajudam os adversários quando é hora de darem a própria cota de sangue, é longa.
Ah, o PT não quer apoiar Lula e Dilma apoiando Palocci? Não, não quer. Ontem, o colunista de O Globo Ilimar Franco relatou que o ex-presidente e a sucessora estavam “perplexos” com a “irracionalidade” do partido. Sim, precisou um colunista de O Globo dizer isso. Só aí você, leitor, já pode ter uma idéia da covardia e do cinismo do PT.
Gozado, não? Palocci não recebe apoio do PT, mas Delúbio Soares continua bom companheiro. Justo Delúbio, que meteu o partido inteiro em uma encrenca que ele próprio armou optando por um caminho de financiamento que idealizou sabe-se lá como. E se você, petista covarde, acha que essa direita midiática com a qual colabora vai livrar a sua cara, esqueça.
Assim que o próprio partido de Dilma e de Lula ajudar a tornar este governo um zumbi que poderá passar quase quatro anos lutando para segurar ministros e se explicar em escândalos forjados, as baterias midiáticas se voltarão contra esse mesmo partido. Ou alguém acha que, ano que vem, o PT não apanhará até o fechamento das urnas no segundo turno?
Enquanto o PT se esconde em vez de partir para cima da direita midiática exigindo provas das acusações a Palocci – contra quem, um mês depois do início do ataque, só se tem que enriqueceu “20 vezes em 4 anos” – e cobrando o enriquecimento inexplicável de Aécio Neves, por exemplo, vemos um Lula isolado e apelando a moucos ouvidos petistas.
Entendo jornalistas que batem em tucanos e petistas. E respeito. Não entendo e não aceito jornalistas que se calam em relação a escândalos tucanos ou demos e viram feras em relação a escândalos petistas. E entendo ainda menos um partido que sabe que jamais será aceito pela direita midiática se acovardar logo no primeiro dos muitos embates que virão.
Se não fosse Lula, o PT talvez nem existisse mais. Abandonar o ex-presidente e Dilma em um momento em que se define o que será este governo – se será forte por ter superado a crise Palocci ou fraco e alvo de ataques iguais e periódicos até 2014 – deixa claro que o PT não está à altura da posição que ocupa, ainda que nenhum outro partido tampouco esteja.

domingo, setembro 05, 2010

Se dependesse do DEM, o ProUni não existiria.

Este texto foi escrito por Elio Gaspari e publicado no jornal Correio do povo do dia 29 de agosto de 2010. Vi na internet que outros blogs também publicaram essa crônica mas é sempre bom lembrar o que significa para o Brasil estas eleições. Sei que não existe bem e mal, no caso eleitoral, existem propostas políticas que no futuro fazem toda a diferença. É bom que o povo saiba o que a aliança entre o DEM e PSDB representa - Um retrocesso de tudo aquilo que levamos décadas para conseguir. Observem a vida partidária destas duas legendas. A quantidade de falcatruas, desvios de verbas é imensa, assim como os escandalos. Nós, aqui no RS temos o desprazer de ver o nome de nosso estado seguidamente nas páginas policiais e cuja a administração esta nas mãos da Governadora Yeda Crusius do PSDB.  Segue abaixo a crônica para aqueles que ainda não leram.

Por: ELIO GASPARI

Dilma disse a verdade quando acusou o ex-PFL de tentar destruir o programa no STF

EM BENEFÍCIO DA QUALIDADE do debate eleitoral, é necessário que seja esclarecida uma troca de farpas entre Dilma Rousseff e José Serra durante o debate do UOL/Folha. Dilma atacou dizendo o seguinte: "O partido de seu vice entrou na Justiça para acabar com o ProUni. Se a Justiça aceitasse o pedido, como você explicaria essa atitude para 704 mil alunos que dependem do programa?"

Serra respondeu: "O DEM não entrou com processo para acabar com o ProUni. Foi uma questão de inconstitucionalidade, um aspecto".
Em seguida, o deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM, foi na jugular: "Essa informação que ela deu é falsa, mentirosa".

Mentirosa foi a contradita. O ProUni foi criado pela medida provisória 213 no dia 10 de setembro de 2004. Duas semanas depois o PFL, pai do DEM, entrou no Supremo Tribunal Federal com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a iniciativa, e ela tomou o nome de ADI 3314.
O ProUni transferiu para o MEC a seleção dos estudantes que devem receber bolsas de estudo em universidades privadas. Antes dele, elas usufruíam benefícios tributários e concediam gratuidades de acordo com regras abstrusas e preferências de cada instituição ou de seus donos.

Com o ProUni, a seleção dos bolsistas (1 para cada outros 9 alunos) passou a ser impessoal, seguindo critérios sociais (1,5 salário mínimo per capita de renda familiar, para os benefícios integrais), de acordo com o desempenho dos estudantes nas provas do Enem. Ninguém foi obrigado a aderir ao programa, só quem quisesse continuar isento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, PIS e Cofins.

O DEM sustenta que são inconstitucionais a transferência da atribuição, o teto de renda familiar dos beneficiados, a fixação de normas de desempenho durante o curso, bem como as penas a que estariam sujeitas as faculdades que não cumprissem essas exigências.

A ADI do ex-PFL está no Supremo, na companhia de outras duas e todas já foram rebarbadas pelo relator do processo, o ministro Carlos Ayres Britto. Se ela vier a ser aceita pelo tribunal, bye bye ProUni.

Quando o PFL/DEM decidiu detonar a medida provisória 213, sabia o que estava fazendo. Sua petição, de 23 páginas, está até bem argumentada. O que não vale é tentar esconder o gesto às vésperas de eleição.

Em 1944, quando o presidente Franklin Roosevelt criou a GI Bill que, entre outras coisas, abria as universidades para os soldados que retornavam da guerra, houve políticos (poucos) e educadores (de peso) que combateram a iniciativa.

Todos tiveram a coragem de sustentar suas posições. Em dez anos, a GI Bill botou 2,2 milhões de jovens veteranos nas universidades, tornando-se uma das molas propulsoras de uma nova classe média americana.

O ProUni não criou as bolsas, ele apenas introduziu critérios de desempenho e de alcance social para a obtenção do incentivo. Desde 2004 o programa já formou 110 mil jovens, e há hoje outros 429 mil cursando universidades. Algum dia será possível comparar o efeito social e qualificador do ProUni na formação da nova classe média brasileira. Nessa ocasião, como hoje, o DEM ficará no lugar que escolheu.