Estava lendo o artigo publicado no blog de Brizola Neto e reproduzido em Conversa afiada por Paulo Henrique Amorim que a Folha de Sâo Paulo prepara mais um golpe contra Dilma Rousseff. O Argumento é que a Folha pretende mostrar ao povo brasileiro, a ficha de Dilma durante a ditadura. Isso me faz pensar em meus valores e minhas lutas. O Jornal Folha de Sâo Paulo é um grande patrocinador do neoliberalismo no Brasil, eu diria um grande porta-voz na manutenção de um país governado por uma elite sobrevivente da miséria da população. Não só a Folha, há um conjunto forte de redes de comunicação como a revista Veja, a Rede Globo de televisão e todos os veículos comprometidos com o capital. Mas voltando ao assunto, que Dilma possa ter sido guerrilheira, ela nunca negou. Que foi torturada, presa, todos sabem. O que me surpreende é que o jornal faça uso disso para convencer o eleitor de que vale a pena votar no bom moço chamado José Serra. Falando um pouco de meus valores pessoais - a glória da igreja não me impressiona, o currículo de "Certinho" me trás grandes desconfianças e por isso a comparação. José Serra, quando iniciou a ditadura no Brasil, Serra não lutou, ele fugiu. Foi pro Chile, trocou de faculdade, se casou, começou uma vida muito responsável. Dilma, na época tinha 19 anos, entrou para uma organização clandestina, combateu a ditadura, foi torturada e jamais fugiu da sua ideologia. Serra apregoa que foi preso também no Chile e conseguiu fugir através do uso de um paletó. Chega a ser hilário. Os chilenos tentaram deportá-lo porém, um Senador americano intercedeu e ele foi para os Estados Unidos. Essa parte da história de Serra me deixa muito confusa. Toda a esquerda latina americana sabia que foram os EE.UU os patrocinadores oficiais de todos os golpes em nosso continente. As técncas de tortura foram trazidas pela CIA e aperfeiçoadas em solo brasileiro. Como então, um jovem é auxiliado por um senador americano e ainda segue para os Estados Unidos. Uma das alternativas em que pensei é que os EE.UU precisavam preparar muito bem a direita no Brasil e nada melhor do que usar a história triste e de lutas de um pseudo-militante de esquerda. Nesse sentido Serra jamais decepcionu. Se aliou a Fernando Henrique Cardoso e voltou ao Brasil no momento certo. Dilma jamais saiu do Brasil, construiu sua vida na base da militância e da ideologia. Não foi ajudada por nenhum americano. Lembro da época do PDT, partido onde esteve um bom tempo junto ao seu ex-marido, na época Deputado Carlos Araújo. Eles eram conhecidos como a "Esquerda" do PDT. Vejo nas propagandas eleitorais, a campanha de Serra dizendo que tem história. Realmente tem, história de fugas, de não términos de mandatos, de alianças com a grande imprensa, em fraudes visuais e não podemos esquecer que a partir dessa eleição, terá também história de agressão para constar na sua biografia - sim, uma bolinha de papel pode se transformar em um bloco de concreto de acordo com a velocidade atingida. Quanto a Dilma, desde os 19 anos lutando por seu espaço e aplicando na sua vida todas as suas crenças pessoais. Hoje, ela tem mais de 60 anos, uma filha, um neto, um ex-marido que a elogia e lamenta não estar com ela neste momento. Politicamente, ela ganhou apoio de um presidente nordestino, sem curso superior, mas que conseguiu índices de aprovação popular que nenhum outro presidente "doutor" conseguiu. Lula não é burro, é muito sábio e viu uma mulher que poderia continuar a tragetória de um Brasil melhor. Existe corrupção no governo federal? Existe. Os partidos são formados por pessoas e pessoas são corruptíveis. A grande diferença entre o PT e os partidos de centro-direita é que há punição para essas pessoas. As coisas não ficam sem apunição interna. É óbvio que o Brasil precisa melhorar em todas as áreas, saúde, educação, segurança...Mas também é óbvio que os primeiros passos já foram dados. Quanto a folha de Sâo Paulo, se o que os analistas acreditam, for realmente publicado neste dia 29, eu terei mais um motivo para votar em Dilma.
17.09.2010
Por Marcos Coimbra
Quando, no futuro, for escrita a crônica das eleições de 2010, procurando entender o desfecho que hoje parece mais provável, um capítulo terá de ser dedicado ao papel que nelas tiveram os jornalistas tucanos.
Por motivos difíceis de entender, as oposições aceitaram que sua velha elite determinasse o caminho que seguiriam na sucessão de Lula. Ao fazê-lo, concordaram em continuar com a cara que tinham em 2002, mostrando-se ao País como algo que permanecera no mesmo lugar, enquanto tudo mudara. A sociedade era outra, a economia tinha ficado diferente, o mundo estava modificado. Lula e o PT haviam se transformado. Só o que se mantinha intocada era a oposição brasileira: as mesmas pessoas, o mesmo discurso, o mesmo ar perplexo de quem não entende por que não está no poder.
Em nenhum momento isso ficou tão claro quanto na opção de conceder a José Serra uma espécie de direito natural à candidatura presidencial (e todo o tempo do mundo para que confirmasse se a desejava). Depois, para que resolvesse quando começaria a fazer campanha. Não se discutiu o que era melhor para os partidos, seus militantes, as pessoas que concordam com eles na sociedade. Deram-lhe um cheque em branco e deixaram a decisão em suas mãos, tornando-a uma questão de foro íntimo: ser ou não ser (candidato)?
Mas, por mais que as oposições tivessem sido capazes de se renovar, por mais que houvessem conseguido se libertar de lideranças ultrapassadas, a principal causa do resultado que devemos ter é externa. Seu adversário se mostrou tão superior que lhes deu um passeio.
Olhando-a da perspectiva de hoje, a habilidade de Lula na montagem do quadro eleitoral de 2010 só pode ser admirada. Fez tudo certo de seu lado e conseguiu antecipar com competência o que seus oponentes fariam. Ele se parece com um personagem de histórias infantis: construiu uma armadilha e conduziu os ingênuos carneirinhos (que continuavam a se achar muito espertos) a cair nela.
Se tivesse feito, nos últimos anos, um governo apenas sofrível, sua destreza já seria suficiente para colocá-lo em vantagem. Com o respaldo de um governo quase unanimemente aprovado, com indicadores de performance muito superiores aos de seus antecessores, a chance de que fizesse sua sucessora sempre foi altíssima, ainda que as oposições viessem com o que tinham de melhor.
Entre os erros que elas cometeram e os acertos de Lula, muito se explica do que vamos ter em 3 de outubro. Mas há uma parte da explicação que merece destaque: o quanto os jornalistas tucanos contribuíram para que isso ocorresse.
Foram eles que mais estimularam a noção de que Serra era o verdadeiro nome das oposições para disputar com Dilma Rousseff. Não apenas os jornalistas profissionais, mas também os intelectuais que os jornais recrutam para dar mais “amplitude” às suas análises e cobertura.
Não há ninguém tão dependente da opinião do jornalista tucano quanto o político tucano. Parece que acorda de manhã ansioso para saber o que colunistas e comentaristas tucanos (ou que, simplesmente, não gostam de Lula e do governo) escreveram. Sabe-se lá o motivo, os tucanos da política acham que os tucanos da imprensa são ótimos analistas. São, provavelmente, os únicos que acham isso.
Enquanto os bons políticos tucanos (especialmente os mais jovens) viam com clareza o abismo se abrir à sua frente, essa turma empurrava as oposições ladeira abaixo. Do alto de sua incapacidade de entender o eleitor, ela supunha que Serra estava fadado à vitória.
Quem acompanhou a cobertura que a “grande imprensa” fez destas eleições viu, do fim de 2009 até agora, uma sucessão de análises erradas, hipóteses furadas, teses sem pé nem cabeça. Todas inventadas para justificar o “favoritismo” de Serra, que só existia no desejo de quem as elaborava.
Se não fossem tão ineptas, essas pessoas poderiam, talvez, ter impulsionado as oposições na direção de projetos menos equivocados. Se não fossem tão arrogantes, teriam, quem sabe, poupado seus amigos políticos do fracasso quase inevitável que os espera.
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.
Fonte: site da Carta Capital.