Alguns dizem que o dia das mães é uma data comercial. De certa forma é verdade, depois do natal, esse é o dia onde o comércio mais lucra. Um dia especial que deve ser coroado de presentes. As crianças fazem cartões, as escolas apresentam peças de teatro, tudo isso para homenagear as mães. As mães tem fama de abnegadas, sofredoras. Sinceramente acho isso uma grande mentira. Mãe não é abnegada e nem sofredora. Ela é um ser diferente. Ela tem prazer em ver o filho feliz, ela tem prazer de cuidar, de amparar, de amar, talvez as mães sejam simplesmente masoquistas. Eu questionava o papel das mães até ser mãe. Tive parto normal, dores, contrações. Quando olhei para a minha filha pela primeira vez, eu soube o que é verdadeiramente amar alguém. Na medida em que ela foi e esta crescendo me apaixonei ainda mais. Algumas vezes a minha memória não funciona mas sou capaz de lembrar cada olhar, cada sorriso, cada decepção no rosto da minha filha. Outras vezes tenho que me controlar para dar afeto sem ser dona. Isso é uma coisa que todos dizem - criar os filhos para o mundo e não para si. As mães são tradicionalmente ridículas, seus olhos dificilmente enxergam os filhos crescidos, para nós eles sempre serão crianças necessitadas de afetos e proteção. Noventa por cento dos filhos tem problemas com as mães. A culpa de tudo é da mãe, ela era assim, ela era assada. Uma coisa tão simples é compreender as mães, elas são divinamente contraditórias. Tentam se orientar pelo manual da psicologia, da vida e das emoções, tudo ao mesmo tempo. Uma mãe é tradicionalmente perita em intuições, intuição de mãe não falha porque ela é uma mistura de santa e bruxa. Claro que nesse mundo vasto existem mães de todos os tipos e modos. Tem até mesmo aquela mãe que abandona os filhos e ficam o resto da vida tentando preencher uma vazio existencial igual a um poço sem fundos. Mãe é um ser sensível, louca, grossa, protetora, possessiva mas que sabe amar como nenhum outro ser humano é capaz. Uma mãe entra em uma casa em chamas se tiver que salvar o filhos, derruba pontes, escala edifícios, doaria seus órgãos, faria qualquer coisa pelo fruto de seu ventre. Algumas pessoas podem discordar de muita coisa que escrevi aqui mas falando da minha experiência pessoal - eu não desejava ter filhos. Tive uma que é um presente dos céus. Quando a vejo, tenho que olhar bem duas vezes pra perceber que ela tem 20 anos e busca seu lugar no mundo e não 2,3,4 anos. Ela não é mais a minha garotinha. Não é? Claro que sim, sempre será a minha garotinha, meu bebê. Sou mãe, louca, algumas vezes grossa, outras, muito sensível e possessiva. Os filhos crescem aos olhos do mundo e não aos olhos das mães. Sou contraditória como todas as mães. São nossos filhos quem possuem a capacidade de nos ensinar a amar. Feliz dia das mães, uma data comercial mas e dai? No final é muito bom ganhar um abraço que é o verdadeiro presente de todas as mães.
Várias palavras é um resumo de pensamentos que circulam com mais intensidade em minha mente. É um processo, algumas vezes rápido, outros mais vagarosos, mas independente dessa velocidade, tais pensamentos sempre serão verbalizados. Esse é o espaço da transformação, idéias em palavras
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sábado, maio 07, 2011
Feliz dia das Mães.
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sábado, maio 08, 2010
Dia das mães, um dia da minha mãe.
Minha mãe morreu com 50 anos, com uma vida marcada por doenças, falta de dinheiro, trabalho. De uma família pobre do interior fora criada por sua madrinha, uma mulher que adorava. Era costume aqui, no interior gaúcho que os padrinhos, quando tinham boas condições financeiras criassem seus afilhados menos afortunados. Sua madrinha era uma italiana e lhe ensinou a alegria de viver. Minha mãe era uma mulher negra, que mal sabia ler. Meu pai , um homem branco foi quem lhe ensinou um pouco do que sabia e depois ela se instruiu com outros professores. Seu maior sonho era ser professora. Era muito bonita, tinha charme. Meu pai se apaixonou a sim que a viu. A quarenta anos atrás não era comum negros e brancos se casarem porém com eles o caso foi diferente, se casaram e esta união durou até a morte da minha mãe. A minha vida era atormentada pelas constantes brigas entre os dois. Engraçado, agora depois que ambos se foram parece que tudo que acontecia não era de verdade. Eu aprendi a ler e escrever com quatro anos de idade e somente hoje estou escrevendo sobre minha mãe. Ela era honesta, trabalhadora, infantil, guerreira, delicada, feminina, bruxa, intuitiva, com uma energia de dar inveja mesmo com as doenças. Poderia ter sido feliz se fosse mais flexível. Como a maioria das pessoas, nós duas tínhamos muitos problemas. Eu me irritava com ela e ela comigo. Hoje vejo que na verdade éramos muito parecidas. Ela me ensinou a ser forte, a ter coragem, a não desistir dos meus sonhos a sempre acreditar na instrução. Ela me ensinou a ter valores e cultivar estes valores. Passei isso pra minha filha como um legado precioso. As vezes eu olho pra mim e vejo a minha mãe. Sinto falta dela. Sinto falta dela exigindo que eu me levantasse quando estava prestes a cair. Sinto falta da sua energia mesmo na doença. Sinto falta das oportunidades que perdi, das coisas que não disse e de sentimentos que não soube expressar. Agora, como mãe eu vejo os motivos das suas preocupações e a compreendo. Entendo todas as mães. Uma mãe não dura para sempre, elas se vão e nos deixam, não sós, mas com os ensinamentos que nos transmitiram uma vida inteira. As vezes leva tempo para que percebamos isso mas essa é a verdadeira herança da humanidade. O amor incondicional das mães resiste ao tempo, as desavenças, a morte. Mesmo depois de tudo sempre haverá aquele afeto que nos aquece nos Invernos da vida. Dia das mães, dia da minha mãe.
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