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quarta-feira, abril 29, 2015

A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL E O EMPODERAMENTO DA JUVENTUDE BRASILEIRA.




Christiane Russomano Freire

          Não restam dúvidas que a campanha em favor da redução da maioridade penal no Brasil, que reeditou a PEC 171 após vinte cinco anos e que, tragicamente, conta com o apoio aproximado de 87% da população, se inscreve como bandeira paradigmática daquilo que, no campo penal e penitenciário, denominamos de populismo punitivo. A aprovação de tal medida poderá significar uma vitória histórica e inédita das políticas de criminalização e exclusão da juventude brasileira, instrumentalizada no incremento do encarceramento em massa, que no tocante aos seus efeitos sociais perversos, se assemelha somente à aprovação da Lei dos Crimes Hediondos nos idos dos anos 90, marco que inaugurou a adesão do Brasil ao punitivismo penal.
          A instabilidade do momento político nacional, que fragiliza as instituições democráticas, assim como fomenta e fortalece no Congresso Nacional um conservadorismo que ficou latente por mais ou menos quatro mandatos presidenciais, surge como terreno fértil capaz de germinar importantes retrocessos nas esferas dos direitos coletivos e individuais. Soma-se a isto a legitimidade conferida por amplos setores da sociedade civil que, suscetíveis às campanhas de pânico incessantemente veiculadas pelos principais meios de comunicação, se transformam nos principais propagadores das respostas penais de natureza simbólicas. Ou seja, aquelas dirigidas a aplacar os medos coletivos, transmitindo a falsa sensação de segurança.
          Por outro lado, não é necessário compreender profundamente os mecanismos da política econômica para estabelecer conexões entre as propostas de terceirização/precarização do trabalho que tomaram corpo nos últimos meses, recebendo amplo apoio da maioria dos partidos políticos com representação parlamentar, com a defesa da redução da maioridade penal. As novas readequações exigidas pelo contexto econômico mundial - não mais atenuado pela estabilidade e crescimento da econômica nacional, que durante as duas últimas décadas permitiu a implantação de políticas de inclusão e distribuição de renda e direitos sem causar danos substanciais às expectativas vorazes das elites nacionais - tornam a redução da idade penal,com o incontroverso incremento do aprisionamento juvenil, a outra dimensão da precarização do trabalho, da segregação territorial e da sujeição ou eliminação dos sujeitos redundantes. 
          Todavia, para além desses aspectos substanciais acima mencionados, existe outro elemento que, embora não tenha sido problematizado pela maioria das análises do fenômeno, ao menos àquelas a que tive acesso, me parece fundamental para a compreensão do que efetivamente está em jogo. 

          Trata-se do significado das Jornadas de Junho de 2013. Diferente do que muitos acreditavam, propagavam, ou na verdade desejavam, a juventude brasileira, assim como a de vários outros países não somente não estão apáticas, alienadas e apolíticas, mas ao contrário, montam um espetáculo até então nunca visto de atitude, consciência cidadã e criatividade. 
Surgem trazendo novos tipos de organização social: coletivos organizados em redes que professam autonomia e diferem muito dos tradicionais e institucionalizados movimentos de juventude. A pluralidade das bandeiras é o ingrediente diferencial e também o mais interessante, uma vez que permite a auto-organização e a autonomia perante os poderes constituídos, mas, sobretudo o diálogo e o respeito pelo que é substancial para o Outro. 


          Nesse mosaico conectado não apenas virtualmente, mas na ação direta das ruas nas grandes cidades brasileiras encontramos desde o Movimento Pelo Passe Livre - MPL, a Marcha da Maconha, a Marcha das Vadias, a Massa Crítica, o Movimento Reaja ou Será Morto, as Mães de Maio, o Território Livre, a Frente Independente Popular, o Ocupe Estelita, o Levante Popular da Juventude, o Juntos, dentre tantos outros. As pautas envolvem questões referentes à mobilidade urbana, a ecologia, os direitos LGBT, a descriminalização das drogas, a luta contra a violência policial e as mortes da juventude das periferias, o direito e o acesso as manifestações culturais como as pichações e o Hip Hop. 
          Nessas vivências, a juventude brasileira se desconectou dos partidos políticos tradicionais e sindicatos, reafirmou sua desconfiança com a institucionalidade e a horizontalidade, postura que os fez rechaçar, não raras vezes, até mesmo a participação dos partidos de esquerda nas manifestações que protagonizaram. E, ainda, criou uma nova linguagem, mais criativa e menos dogmática, utilizando-se das novas tecnologias para fomentar redes conectadas e descentralizadas, tendo como pautas majoritárias questões locais, assim como algumas de crivo nacional, tais como a desmilitarização das polícias e a não criminalização dos movimentos sociais. No entanto, não possuem um programa mais amplo, com propostas para a sociedade como um todo, ou mesmo com pretensões as disputas na esfera estatal.
          No entanto, o que temos é o empoderamento de uma juventude que cresceu durante as duas últimas décadas e que foi beneficiária das várias conquistas democráticas e sociais, tanto é assim que na ampla maioria das vezes possuem nível de escolaridade superior aos seus pais, bem como tem acesso a determinados bens de consumo. Sendo assim, são capazes de demonstrar claramente que não estão dispostos a fazer qualquer tipo de concessão no que se refere aos direitos, as liberdades e a parcela de democracia conquistada. 
          Ainda é cedo para saber a trajetória futura de tais movimentos, podemos fazer diferentes conjeturas: se em algum momento irão optar pela institucionalização e participação no jogo político eleitoral, se irão assumir as mesmas formas dos seus semelhantes na Espanha ou na Grécia, se irão dar origem a outro ou outros organismos de representação política, ou mesmo se irão manter sua autonomia como movimentos sociais, mas o que realmente importa é que nunca estiveram tão vivos, tão atentos, tão dispostos da lutar e com tanta capacidade de mobilização. E é exatamente contra essa potencialidade que assistimos tomar corpo uma poderosa reação autoritária que, embora adormecido por breve período, sempre esteve ali na espreita, uma vez que infelizmente se constitui como ingrediente substancial da tradição sócio-cultural. 
Com certeza é nesse contexto que se inscreve a proposta de redução da idade penal, o continum punitivo da precarização do trabalho.

domingo, abril 12, 2015

De onde vem o dinheiro dos grupos que pedem o "imptman" de Dilma




Posto aqui uma interessante reflexão de um amigo do facebook, Master Clovis - De onde vem o dinheiro que financia os grupos que promovem as manifestações. Vale ler e pensar a respeito.



           O jornal Estadão, que não esconde a sua simpatia pelas marchas golpistas contra o governo Dilma, publicou neste domingo (12) uma curiosa reportagem – assinada pelos jornalistas Ricardo Galhardo, Vamar Hupsel, Ricardo Chapola e Fábio Leite. Ela questiona as fontes de arrecadação dos grupos que organizaram os recentes protestos – que pedem desde o impeachment da presidenta até o retorno dos militares. “Embora cobrem transparência e lisura do governo federal, Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados On Line não fornecem nota fiscal de venda das camisetas que levam suas marcas e serão usadas por muitos manifestantes nos protestos de hoje. A comercialização das peças, bem como as doações recebidas, são as justificativas usadas por eles para financiar suas atividades”. Ainda segundo a minúscula matéria, “Revoltados On Line e Movimento Brasil Livre vendem seus produtos pela internet e as entregam pelo correio sem o documento fiscal. Ambos argumentam que não são uma empresa formal. O Vem Pra Rua montou um ponto de venda na papelaria Paperchase, no Itaim Bibi, bairro nobre da zona sul de São Paulo. A reportagem comprou uma camiseta e pediu a nota, mas não recebeu. Somente depois de questionar o porta-­voz do movimento, Rogério Chequer, o documento foi fornecido ­ em nome da papelaria... Na segunda-­feira, o Estado enviou questões aos três movimentos sobre fontes de recursos, organização jurídica, nomes de integrantes, ligações externas e processos decisórios. O Vem Pra Rua respondeu parcialmente. Marcello Reis, do Revoltados On Line, alegou falta de tempo. Renan Santos, do MBL, não respondeu.A breve reportagem do Estadão indica que não dará para esconder por muito tempo as nebulosas transações – e os suspeitos vínculos – destes grupos fascistóides. Através dos blogs e redes sociais, inúmeras denúncias já circularam pela internet. Aos poucos e em doses discretas, a mídia golpista vai sendo forçada a abordar as fontes de financiamento destas sinistras organizações. Na semana passada, a própria CBN – a rádio que toca mentira da Rede Globo – deu mais algumas pistas num comentário do radialista Leopoldo Rosa. Vale conferir alguns trechos da reportagem intitulada “Grupos que organizam protestos contra a presidente Dilma Rousseff atingem profissionalização”.“O maior trio elétrico do Brasil. Equipamentos alugados a diárias de R$ 20 mil. Filiais em 130 cidades. Pelo menos quatro grandes entidades organizadoras. Essa descrição caberia muito bem a qualquer show ou grande evento, mas a estrutura e organização é para o protesto contra a presidente Dilma Rousseff, no dia 12 de abril. Os grupos que convocam os atos estão cada vez mais organizados. Alguns viraram pessoa jurídica, outros estão ganhando administradores em diversos estados, além de páginas na internet e pessoas que ajudam a convocar e divulgar os atos. O fundador do Revoltados Online, Marcello Reis, diz que o grupo, que defende o impeachment da presidente quer se transformar em associação para ampliar a arrecadação por meio de mensalidades”.“Deve ser deste grupo o maior carro de som na Avenida Paulista, a diária do equipamento custa R$ 20 mil. No Rio de Janeiro, o grupo deve levar cinco carros que já vão começar a rodar nesta semana, anunciando a manifestação. Em outros estados, o número de carros ainda não foi definido. Depende de quanto os grupos vão arrecadar até lá. Além das doações que já recebe, o Revoltados Online também comercializa camisetas. Uma peça chega a custar R$ 175. O Movimento Brasil Livre, um dos maiores organizadores do protesto também investe na venda de itens pela internet. No entanto, Renan Santos, líder do movimento rejeita o que chamou de gourmetização das manifestações”. A reportagem até tenta aliviar a barra dos grupelhos oportunistas, mas não consegue esconder totalmente a sujeira fascistóide. Pelo jeito, há algo de muito pobre nos porões destas marchas!



segunda-feira, março 17, 2014

À volta do regime militar???JAMAIS

     
      O ano de 1983 foi marcante na minha vida, entrava na faculdade de ciência com habilitação em física, na PUCRS. Sonhava em ser física nuclear e acreditava que a física responderia a todos meus anseios. Estava enganada e acabaria entrando no movimento estudantil e na militância onde continuo até hoje e me formando anos depois em jornalismo. 
           Fiz parte de uma célula, uma tendência petista chamado O Trabalho. O PT dava seus primeiros passos. Olívio Dutra e outros trabalhadores disputavam espaço nos partidos tradicionais, com idéias de melhoria de vida para todos, principalmente para os trabalhadores explorados. Foi o ano de criação da CUT, Central Única dos Trabalhadores. Foi o ano também que organizamos uma greve na PUCRS e eu peguei minha primeira comissão de inquérito para expulsão da universidade.
          De lá pra cá, muita coisa mudou, o lema que defendíamos – Trabalhador vota em trabalhador, ficou ultrapassado. Aliviamos nossos discursos para que todas as classes fossem englobadas dentro de uma visão mais ampla de partido. Hoje estamos no poder, chegar até o topo nos custou um alto preço e percalços ao longo do caminho. Lutamos contra um regime opressor, o regime militar e ainda lutamos contra os filhotes da ditadura que em nome da família, tradição e propriedade, tentam desesperadamente manter o controle de um Brasil imenso e impregnado de mudanças.
          Quando entrei no movimento, conheci muitas pessoas que tinham uma visão da luta de classe, de ideologia, que eu não fazia a menor idéia. Soube que milhares de pessoas tinham perdido a vida torturados pelos militares. Havia um rapaz da engenharia que certa vez começou a ler um livro onde se descrevia a tortura no Brasil. Que mundo era aquele, onde eu estava, que não percebia nada disso. Foi um choque e até hoje não me recuperei.

           As mudanças que o Brasil passou são visíveis e mesmo atrasados em relação a outros países da America Latina, onde os regimes militares se expandiram como uma praga, nós buscamos a verdade mesmo que timidamente, no meu ponto de vista. Hoje temos relatos terríveis de tudo o que passamos, através dos comitês da Verdade e da Justiça. Foram anos de história suja e sanguinária Essa praga ainda continua a disseminar a ignorância entre a população. Esta sendo chamada uma marcha destes filhotes flagelados da ditadura no próximo dia 22 de março. Uma afronta a toda transformação que passa a sociedade brasileira. Ditadura nunca mais, punição para os torturadores, cadeia para os criminosos que mataram crianças, jovens e adultos. Temos que repudiar, denunciar em todos os veículos de comunicação, principalmente a internet. Sabemos que a ditadura não atuou solitária. Tiveram ajuda da Rede Globo e de outros veículos de comunicação, cujo enriquecimento de Roberto Marinho foi proporcional ao reinado da ditadura. Veículos grandiosos que ainda hoje continuam tentando influenciar a população para seu modo de visão do mundo. Onde o rico se safa e o pobre se ferra. Temos que dar um basta. Hoje infelizmente, a tortura ainda existe na policia que corre atrás do jovem negro e pobre da favela. Denuncie essa marcha, mostre do jeito que for, o horror que isso representa ao país. Não podemos mais aceitar apologia ao crime de forma explicita e vergonhosa. TORTURA NUNCA MAIS. MILITARES NO PODER – JAMAIS.

domingo, junho 23, 2013

De Federação Anarquista Gaúcha - FAG O enredo de uma farsa! A tentativa de criminalização da Federação Anarquista Gaúcha

             

                    Na tarde de quinta feira (20/06/2013), antecedendo o protesto que já se previa multitudinário na capital gaúcha, ocorreu a invasão mediante arrombamento do Ateneu Libertário A Batalha da Várzea, executado por agentes policiais sem identificação. Devido a isto, no comunicado da madrugada de sexta-feira, dia 21 de junho, informamos que a invasão havia sido realizada pela Polícia Federal, afinal de contas assim se apresentaram os agentes da repressão.
Através da coletiva concedida pela cúpula da Segurança Pública do governo do RS, na tarde da sexta-feira, dia 21 de junho tivemos a informação que tal operação foi realizada de fato por agentes da Polícia Civil, omitindo-se o fato de que a operação se deu de forma ilegal, sem o correspondente mandato judicial, conforme o apurado pela assessoria jurídica que nos apóia nesse momento, de forma solidária.
                 Esta coletiva de imprensa portanto não poderia anunciar outra coisa se não uma farsa,na busca de um bode expiatório para responsabilizar pelas manifestações de violência ocorridas nos protestos de forma generalizante, acusando que todos os atos de depredações e “vandalismos” fossem de responsabilidade dos anarquistas presentes nos protestos e especificamente dessa organização política, como já dito anarquista.
O fantasma atemorizante criado nas redações da RBS: a presença de bandeiras anarquistas, grupos e indivíduos punks e o já folclórico devaneio do âncora da RBS Lasier Martins “mascarados anarquistas” deram a tônica da conspiração em curso. Apresentaram-se “provas”, segundo a polícia nessa operação ilegal, de materiais para confecções de coqueteis molotovs e um mapa com a identificação de órgãos de segurança do Estado, com o quê buscam afirmar que planejávamos desatar ataques.
             Além de tais objetos plantados, a coletiva para a mídia corporativa retira a sua máscara e demonstra a farsa em curso, o real objetivo da operação. Segundo o próprio chefe da Polícia Civil, o delegado Ranolfo Vieira Jr. “é importante dizer que nesse local também foi apreendido vasta literatura, eu diria assim, a respeito de movimentos anarquistas.” Considerando que os geniais homens da “inteligência” invadiram uma biblioteca libertária, é natural que achem livros senhores Ranolfo e Tarso Genro. Não sabíamos que uma literatura anarquista, tanto atual como histórica, constitui prova de crime. Desde quando livros estão proibidos em nosso estado? Sim, isto é verdade, levaram muitos livros e o fichário dos usuários da biblioteca do Ateneo, dos quais exigimos a restituição em nossas prateleiras.
Dentre os “perigosos” livros apreendidos, consta a obra Os Anarquistas no Rio Grande do Sul, de João Batista Marçal. O livro foi editado com apoio da Secretaria de Cultura de Porto Alegre no ano de 1995, justo no período em que Tarso Genro era prefeito! Quem faz a introdução é Luiz Pilla Vares e a apresentação é de Olívio Dutra. Ou seja, se publicar livros anarquistas é crime ou ato suspeito, o atual governador já ajudou nesta ação “perigosa”.
Voltou a Censura no Brasil? Ou só no Rio Grande do Sul? O Ateneo Libertário A Batalha da Várzea localizado na Travessa dos Venezianos é um espaço público, de fato uma biblioteca, como já dito, na qual se organizam várias atividades políticas e culturais, em muitas delas inclusive com a participação da vizinhança local. Usamos também instrumentos musicais, teatro, tintas, pincéis, sprays para expressar através das artes nossas críticas e nossos anseios, enfim nossa ideologia. Quando nos apropriamos de palavras, as usamos para expressar idéias, estas armas perigosíssimas!. Quando tornaram-se criminosas as idéias dissonantes do status quo?
                 Além dos “perigosos” livros, a repressão política do RS afirma ter encontrado material inflamável. Sabemos que qualquer objeto além de um botijão de gás foi plantado com o objetivo de incriminar e isolar, a partir da repressão e da guerra psicológica, nossa corrente libertária e combativa, do atual cenário político. Começou com os factóides plantados pela RBS, onde aparecíamos como elementos “sociopatas” que planejam desatar inúmeras operações de guerrilha na cidade. Ora, precisamos de gás para aquecer a água pro mate.
Quanto ao mapa citado pelos chefes do aparato repressivo do estado, sob responsabilidade do governador, afirmamos aqui com veemência que não sabemos do que se trata, considerando ser essa operação ilegal, não há dificuldades em supor que seja algo “implantado” numa tentativa clara de nos criminalizar.
Reconhecemos sim e muito bem outro mapa, o da cidade de Porto Alegre, sua periferia e centro, porquê é aqui que vivemos e lutamos junto aos diversos setores das classes oprimidas, organizados ou não, socialistas ou não, enfim, o povo organizado contra a dominação e por melhorias nos serviços públicos e contra as retiradas de direitos conquistados pela luta popular em curso, com suas vitórias e derrotas há mais de um século. Aqui estamos há 18 anos, de forma pública, com bandeira, endereço e publicações tanto impressas como virtuais.
             Participamos dos movimentos populares, estudantil, sindical, comunitário, nas rádios comunitárias, no bloco de lutas pelo transporte público, enfim, nas lutas sociais que somos chamados a pelear ou solidarizarmos. Já somos conhecidos sim, pelas policias, pelos movimentos sociais também pelos partidos políticos, inclusive por vários setores do PT e demais que compõem a base do atual governo de turno no RS porque de fato existimos e nunca nos furtamos a pelear.
Logo após a divulgação da operação da Polícia Civil o governador Tarso Genro se apressou a nos atacar da forma mais vil e covarde possível. Ansioso por nos golpear, Tarso nos associou ao fascismo, conclamando as organizações da esquerda a reverem suas políticas de aliança de forma a nos isolar. “— Todos os partidos e pessoas, inclusive os de ultra-esquerda, tem de ajudar a combater isso. Ninguém sobrevive a isso. Todos sucumbem. O caminho é aquele que nós já conhecemos e causou a Segunda Guerra Mundial” Assim se pronunciou o histórico dirigente do PT e governador do Estado Tarso Genro. Aliás, assim se pronunciou o ex-dirigente do Partido Revolucionário Comunista (PRC), irmão de um dos maiores teóricos marxistas do Brasil (Adelmo Genro Filho) e ele mesmo um ex-militante com dezenas de conflitos contra a repressão. Mas isso foi no século passado, não é governador?
Diante da absurda acusação de que somos fascistas, sugerimos aos assessores do palácio e aos agentes dos serviços de inteligência uma rápida pesquisa sobre as inconformidades ideológicas e históricas do que afirma o governador, pois historicamente combatemos o fascismo, existem correntes libertárias que dedicam-se exclusivamente a isto, sobretudo na Europa. Aos senhores jornalistas, lhes sugerimos ainda uma pesquisa sobre a resistência ao fascismo na Espanha e França no contexto da ascenção de Hittler e Mussolini sobre a Europa assim como sobre o episodio de 07 outubro de 1934, na Praça da Sé, em São Paulo, quando a épica coluna operária, formada sobretudo por anarquistas deu combate aos integralistas de Plínio Salgado da AIB (Ação Integralista Brasileira), no fato conhecido como “ a revoada das galinhas verdes”. Fomos e seremos sempre os primeiros nas fileiras de combate a qualquer forma de totalitarismo, sejam eles stalinistas, fascistas ou de qualquer outra natureza. Ser anarquista não é crime.
Já que o senhor Tarso se demonstra tão preocupado com o avanço do fascismo, lhe indagamos: Organizar uma biblioteca pública com foco em literatura anarquista e obras diversas é um crime? Se nossos livros estão sendo apresentados como provas de crime segundo as declarações da cúpula de segurança pública, o que pretendem o senhor Tarso e demais autoridades do estado com isso? Vão fazer como os fascistas e queimar nossos livros em praça pública? Proibir a impressão e venda de títulos relacionados ao anarquismo? Realizar incursões em residências a busca destes títulos, dado o caráter “inflamável” de tal literatura?
Reconsidere suas palavras senhor Tarso, pois são estas operações policiais, sob sua responsabilidade, que afinal se mostram vinculadas a uma prática de perseguição de idéias libertárias, portanto terminam por apoiar práticas que cheiram fascismo. Lembramos ainda que há sim grupos nazistas em Porto Alegre, os quais estavam armados com facas no último protesto do dia 20 de Junho, circulando livremente sem a correspondente repressão que nos dedicam, procurando os anarquistas da FAG. O que lhes parece que queriam, seguramente não era pra debater a conjuntura não é? Quanto a isto o que farão os responsáveis pela segurança pública. Livros não são crime!
                     Sabemos que a meta do governo estadual é política. O objetivo de toda essa guerra psicológica é semear pânico, isolar-nos do cenário e assim pavimentar o caminho para a sanha repressiva em direção de nossa organização e seus militantes.
Por fim, reafirmamos que não iremos nos dobrar a mais essa investida. Desde o início do ano estamos sendo alvejados pela repressão, ainda que até então ela não tenha nos atingido com tamanha intensidade. No início de abril, logo após um massivo ato contra o criminoso aumento das passagens de ônibus, que reuniu mais de 10 mil pessoas nas ruas de Porto Alegre, tivemos nosso site retirado do ar. Na verdade, o domíniowww.vermelhoenegro.org simplesmente sumiu, assim como seus domínios espelhos. Esta censura que segue vigente, fazendo com que encontremos espaços alternativos para divulgar nossas opiniões.
Situação semelhante também ocorreu em novembro de 2009, quando nossa antiga sede foi invadida pela mesma Polícia Civil, a mando do então governo Yeda Crusius (PSDB) em função de um cartaz onde responsabilizávamos politicamente a governadora e o oficial da Brigada Militar no comando do campo de operações pelo assassinato do colono Elton Brum da Silva, em 21/08/2009. O militante sem terra foi morto a sangue frio e a queima roupa por um tiro de calibre 12, enquanto protegia as crianças em uma desocupação de terra na campanha de São Gabriel. Naquela ocasião, por fazermos a denuncia e darmos solidariedade também tivemos nosso site censurado e ainda hoje 06 companheiros/as de nossa organização seguem respondendo processo judicial, no qual seguimos reafirmando que Yeda e o comando da BM foram os responsáveis diretos pelo assassinato de Elthon Brum!
Assim como não nos dobramos a repressão vil do governo Yeda, tampouco iremos nos dobrar a repressão do governo Tarso, que busca isolar a esquerda combativa de forma a atacá-la com maior contundência sob os aplausos e gargalhadas dos setores mais reacionários de nosso Estado e país. Tarso, ex-comunista, ex-dirigente revolucionário, mudou de lado e hoje é uma caricatura torta do militante que pretendia ser nos anos ’70 do século passado. Hoje se porta de maneira servil diante da RBS. Para “defender” o papel simbólico da empresa líder na comunicação social, orienta a Brigada Militar a atacar os manifestantes quando passam do outro lado do Arroio Dilúvio, em uma avenida de seis pistas! Não foram os anarquistas que lideraram a linha de frente da marcha da ultima quinta feira em direção a ZH. Choveu bombas de gás e balas de borrachas sobre as cabeças com caras pintadas de verde e amarelo e flores nas mãos. A imagens dos protestos da última semana em Porto Alegre têm a marca das bombas da BM lançadas contra o povo ordeiramente em marcha na direção da Zero Hora.
               Enfim, esse é o caminho pelo qual trilham, invariavelmente, as políticas de pacto social. A história já nos demonstrou de forma clara, basta olharmos a social democracia alemã e sua caça aos conselhos operários sob influência dos então spartarkistas, delegados revolucionários e também de muitos anarquistas. Caçada essa que levou a ostensiva perseguição de valorosos militantes da classe trabalhadora alemã, como Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Gustav Landauer, este último militante de nossa corrente anarquista. Todos eles presos e assassinados a coronhadas pelas forças de repressão da social democracia. Todos estes militantes serviram de bode expiatório para as políticas de conciliação de classe, que, somadas com a inércia decisória, levaram ao caos e ao nazi-fascismo. Governador, conforme foi dito, se nós estivéssemos à beira da 2ª Guerra Mundial, seríamos milicianos espanhóis, resistentes franceses ou partigianos italianos. Já o senhor, de que lado estaria? De que lado está agora?
A FAG, com 18 anos de história e vida pública e permanente atuação em diversas das lutas sociais em nosso estado e país, é parte de um legado histórico de uma corrente que há quase dois séculos levou às últimas conseqüências o combate a reação, as classes dominantes e seu Estado lacaio. Sim temos relações internacionais e estas surgiram em 1864, na 1ª Associação Internacional dos Trabalhadores, AIT. Todas as correntes do socialismo têm relações com agrupações afins em diversos países. Todas as vertentes do socialismo são internacionalistas, ou o ex-dirigente do PRC também considera isso um crime? Se hoje no país os trabalhadores têm assegurados alguns direitos, estes são fruto de 40 anos de luta sindical antes de 1932. Esta luta era mobilizada por sindicatos livres, desvinculados de partidos políticos, e os organizadores eram militantes anarquistas. O anarquismo é parte da luta popular no Brasil e no Rio Grande do Sul e continuará sendo. Nossa organização ajuda a organizar a luta pelo direito à mobilidade urbana, pelo passe livre e redução dos preços das passagens. Somos parte integrante do Bloco de Luta pelo Transporte Público desde sua fundação, assim como militamos e participamos em diversas frentes de lutas sociais, como Movimento Sem Terra, Rádios Comunitárias, Sindicatos, Movimentos Estudantis, de Luta pela Moradia, Comunitário, somos linha de frente na luta pela diversidade e desde o começo nos Comitês Populares da Copa.
                   A nossa história, “excelentíssimas autoridades” é escrita com o sangue e suor das barricadas dos oprimidos e assim sempre será. Vossa sanha repressiva nunca será capaz de nos calar. Não tememos as hienas e nem a fábrica de mentiras da RBS! A verdade fala mais alto entre os militantes do povo. Somos militantes de esquerda não parlamentar, militantes populares e não terroristas. Terrorista é quem joga bombas contra dezenas de milhares de pessoas caminhando desarmadas. Tarso Genro, RBS e oligarquia gaúcha, sua campanha difamatória tem pernas curtas e a mentira não passará.
Não tá morto quem peleia!
Federação Anarquista Gaúcha, 22 de junho de 2013

quinta-feira, junho 06, 2013

Precisamos sim de médicos no Brasil, médicos que aceitem atender a população seja onde for.

 
      
          Tenho acompanhado a polêmica de trazer ou não médicos do exterior para trabalhar no Brasil. Alguns bem resolvidos moradores de grandes centros como zona sul do RJ dizem - não precisamos, no Brasil já temos médicos demais. Realmente, estamos dentro das normas oficiais mas assim como temos uma imensa desigualdade econômica também temos uma imensa desigualdade de regiões onde os médicos deveriam estar. O interior dos estados brasileiros e regiões de extrema precariedade são os lugares onde menos existem médicos e mais população carente habita. Poderiam dizer, - há, mais o salário é baixo. Tudo bem, a rede bandeirante  e outras emissoras de televisão realizaram reportagens onde prefeituras se disponham a pagar 20 até 32 mil mensais para terem médicos entre seus funcionários, poderíamos dizer tudo menos que estes salários são baixos. Mesmo assim, nossos médicos brasileiros querem é ficar em grandes centros. 
         A solução que o governo encontrou foi trazer médicos cubanos cujo trabalho é reconhecido no mundo todo. Não há uma só catástrofe natural, ambiental, nuclear que não tenha a ajuda humanitária dos médicos cubanos. Profissionais treinados para trabalhar com população carente, em zonas de difícil acesso como por exemplo na tragédia ocorrida no Taiti
. Nessa indignação das classes médicas, tanto do sindicato médico como do conselho de medicina, algo tem me causado grande estranheza, o Dr Paulo de Argollo Mendes, presidente do sindicato médico, teve seus dois filhos formados em Cuba, em Camaguay, na faculdade de medicina. Um pai sempre deseja o melhor para seus filhos, no caso do Dr Paulo Argollo, mandou que seus filhos se formassem em Cuba, deveria ter o bom senso de analisar melhor a questão da medicina no país. Hoje lendo a Zero-hora, encontrei uma crônica que elucida muito esta questão polêmica mas com grandes perdas para a população mais carente, do jornalista 

Paulo Sant'Ana: "Medicina é com médicos"

. A reproduzo aqui.

O presidente do Sindicato dos Médicos, doutor Paulo de Argollo Mendes, manda-me dizer, na defesa intransigente de que não sejam importados milhares de médicosestrangeiros para suprir as 50 mil vagas existentes no Brasil, que, neste caso, se faltam 10 mil brigadianos no Estado, teríamos que importar os 10 mil policiais militares.
Que sofismazinho vulgar usou o doutor Argollo.
Sabe ele por que não se importam os 10 mil brigadianos? Pois vou explicar-lhe.
***
Não se importam os 10 mil policiais, doutor Argollo, porque basta fazer um concurso aqui para 10 mil PMs e logo eles surgem para ganhar menos de R$ 2 mil por mês. Por isso não se importam os 10 mil policiais militares, doutor Argollo!
Já com os médicos (eu não entendo como é que o doutor Argollo não entende uma verdade tão trivial), é diferente. Se se abrir um concurso para médicos que vão trabalhar no Acre e no Tocantins, podem oferecer até mesmo salários de R$ 20 mil ou R$ 30 mil enão aparecerão médicos que queiram ir para os confins do país.
Essa é a diferença.
***
Por isso é que o Ministério da Saúde ameaça importar médicos, doutor Argollo. É tão simples, não sei como o senhor não entende essa fácil charada.
E, como não aparecem médicos para trabalhar em milhares de municípios brasileiros, o governo ameaça trazer médicos estrangeiros que se oferecem para trabalhar em lugares em que os médicos brasileiros jamais pisarão.
***
Entende agora, doutor Argollo, qual é a diferença entre os médicos e a hipótese infeliz que o senhor lançou de importar os 10 mil policiais militares?
A diferença é que não precisa importar os policiais porque aqui a gente preenche por concurso, por qualquer salário, as vagas dos brigadianos, enquanto há médicos brasileiros que não trabalham no Acre, em Tocantins e em Rondônia nem por salários astronômicos.
***
Mas o doutor Argollo tem de fazer a cena de defender os médicos brasileiros, é do seu papel, para isso é eleito.
Só não me venha fingir a cena com argumentos frágeis e hipóteses descabidas.
Tanto que até acho que seria bom para os médicos brasileiros que fossem importados milhares de médicos para trabalhar na Cochinchina brasileira. É certo que, ao cotejar a capacidade dos médicos importados com a capacidade dos médicos nacionais, o governo e a sociedade verão então que os nossos médicos são mais capazes do que os estrangeiros, tanto que demonstram eficiência notável onde se fixaram.
Mas o doutor Argollo parece temer esse cotejo. “E vá lá que o público brasileiro se apaixone pelos médicos estrangeiros”, deve pensar o doutor Argollo. É um exercício puramente paranoico, os nossos médicos são melhores que os estrangeiros.
Mas os nossos médicos não aceitam os salários oferecidos pelos prefeitos. E os estrangeiros estão prontos para trabalhar em qualquer lodaçal. Quatro mil prefeitos, 4 mil, doutor Argollo, imploraram ao governo para que traga médicos estrangeiros, eles não podem mais governar suas cidades sem médicos. Isso não o comove, doutor Argollo?
E, como dizem o Sindicato dos Médicos e o Cremers em seu próprio slogan, “não se faz medicina sem médicos”.
E como é que querem que o governo faça medicina sem importar os médicos para os lugares onde não existem médicos?
Isso é uma verdade que dói, mas é arrasadora.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO 2013


segunda-feira, agosto 15, 2011

Ipanema aplicou pegadinha no próprio público


Emissora diz ter feito brincadeira para mostrar que continua “firme e forte” e que faz diferença no mercado publicitário
Depois de enganar boa parte da própria audiência nesta segunda-feira, 15, a rádio Ipanema FM divulgou nota explicando que a mudança na programação foi uma brincadeira. “Foi mal aí, Ipanêmicos. Mas cá entre nós, no fundo você sabia que não. A gente jamais daria essa bola nas costas de vocês. O anúncio das mudanças na rádio não foi mera jogada de marketing, nem pegadinha. Foi simplesmente a Ipanema sendo a rádio livre de sempre. Livre, destemida, inconsequente como ela sempre foi. E como sempre se orgulhou em ser”, diz o texto. De acordo com Carlos Totti, do marketing da emissora, a ação faz parte de uma campanha da Dez Comunicação e cujo principal objetivo seria “provar para as pessoas que a Ipanema continua firme e forte”. Outro objetivo seria “mostrar para o mercado o quanto mexeria se a Ipanema saísse do circuito”.

Às 17h, comunicadores da rádio foram ao ar para explicar a suposta brincadeira aos ouvintes. Até esse horário, a emissora havia abandonado a programação musical que a consagrou e tocava gêneros populares como sertanejo, pagode e axé. De acordo com Totti, os apresentadores Cláudio Cunha e Kátia Suman e a coordenadora de produção, Paola Kremer, estavam informados sobre a ação.

Assim, mesmo correndo o risco de colocar sua credibilidade em jogo, os apresentadores da emissora reforçaram as farsas em manifestações nas últimas 72 horas. Na sexta-feira, 12, Cunha criticou ao vivo a mudança na programação que ocorreria – e, de fato, ocorreu – nesta segunda-feira, inclusive com direito a comentários do diretor de Jornalismo de Rádio e TV da Band RS, Renato Martins, no Facebook. Na mesma rede social, Kátia publicou mensagens confirmando as alterações e deixando dúvidas se entraria no ar. Paola, por sua vez, disse ao site Sul21 que a ordem para a nova programação teria partido da direção do Grupo Bandeirantes, em São Paulo. A pegadinha gerou até mesmo versões de uma suposta represália do Grupo ao apoio dado pela rádio ao músico Tonho Crocco, quase processado por música que critica aumento de salário de deputados estaduais gaúchos. 

De acordo com a Dez Comunicação, a ideia da brincadeira partiu do coordenador da rádio e DJ, Pancho. A diretora de criação da agência Taíse Kodama disse que a ação se baseou em três pontos: “retomar a origem da emissora, o poder do rádio como veículo de comunicação e reforçar a intimidade da Ipanema com o público”. A ação foi batizada de #sabequenão. Na avaliação da Dez, foi uma iniciativa muito corajosa. “As pessoas se posicionando a favor da origem da rádio foi um saldo muito positivo. Melhor do que um anúncio”, disse Taíse.

Às 20h dessa segunda-feira, no Z Café, Pancho fará anúncio oficial de mudanças supostamente reais na programação da rádio

terça-feira, maio 04, 2010

ABSURDO - ABSURDO - Justiça condena Cpers a pagar indenização a netos de Yeda

A que ponto chegamos, não existe mais imparcialidade na justiça gaúcha - Um sindicato fazendo manifestação de forma legitima em frente a casa da governadora Yeda aqui no RS (casa que é uma extenção do espaço público) visto que ela mobiliou, decorou, comprou móveis para os netos, com o dinheiro público em nome do Governo do RS. No dia em que isso aconteceu, a senhora governadora ficou revoltada com a forma que seus netos, saindo para a escola( Escola Particular Leonardo Da Vinci) que não é uma escola pública e sucateada como são as escolas sob o governo dessa senhora, disse que o sindicato dos professores eram torturadores de crianças. Se não bastasse, a miséria que os professores ganham, hoje saiu a decisão da justiça gaúcha quanto as queixas desse senhora  - JUSTIÇA CONDENA CPERGS A PAGAR INDENIZAÇÃO AOS NETOS DE YEDA.
Aqui no RS, este governo, além de ser o pior dos últimos tempos é totalmente obscuro. As acusações do Ministério público  que mantém um processo contra a governadora, os desvios de verbas públicas, acusações de membros diretos do governo envolvidos em falcatruas, por exemplo - umas das auxiliares é amiga pessoal da governadora que havia ido para Brasília tentar acalmar os boatos e hoje Walna Menezes esta de volta lépida e faceira..
Eu escrevo essa linha muito indignada com a justiça gaúcha. Recentemente a Governadora esta arrumando a vida tendo o governo do estado nas mãos, terá dinheiro através de uma aposentadoria vitalícia para o resto da vida, sendo que se ela vier a falecer, a aposentadoria passa a sua família, decorou sua casa, viaja bastante, colocou a sua filha como Secretaria de governo e de quebra consegue indenização para os netos. Essas crianças foram afetadas, ficaram traumatizadas? E as milhares de outras crianças que não tem o pão de cada dia, que seus pais são desempregados, que suas escolas são sucateadas, que seus professores são mal pagos. Estas crianças também deveriam receber indenização - POVO DO RIO GRANDE DO SUL, VAMOS NOS UNIR E PROCESSAR OS GOVERNOS POR TODAS AS MAZELAS QUE PASSAMOS, O EXEMPLO ACABOU DE SER DADO PELA SENHORA YEDA, GOVERNADORA DO RS e ai vamos ver o que fará a imparcial justiça gaúcha. 

 

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

SAÚDE PÚBLICA

Tenho percebido que a vida do brasileiro mudou. Vejo as pessoas com mais confiança no futuro. A situação financeira do país tem melhorado gradativamente. Nas lojas, os vendedores de eletro domésticos sorriem com muita satisfação, ao mesmo tempo em que todos os indicadores econômicos prevêem um Brasil que no futuro será a quinta economia do mundo. Boa noticia. Neste curto parágrafo a palavra chave girou em torno de economia. Mas eu me pergunto – é realmente a disponibilidade financeira em comprar bens de consumo que faz um país ser melhor ou pior que outro? Creio que não e pensando nisso me lembro de núcleos familiares onde famílias mesmo com situação precárias, porém unidas conseguiram sobreviver e alcançar a tão sonhada qualidade de vida. Esses núcleos, essas famílias tinham SAÚDE. Nosso país me lembra um velho abastado, porém fraco, decadente, doente.

No final da década de 80 foi implantado o SUS (Sistema Único de Saúde) que objetivava fornecer saúde a todas as pessoas independente de poderem ou não pagar por ela. Nessa fase eu me recordo que eu e minha família tínhamos a carteira do INAMPS. Todos os brasileiros viam a oportunidade de uma vida melhor através do SUS. O projeto de que todas as pessoas tenham acesso à saúde é fantástico, porém na prática o SUS recebe tanto boicote, que trás revolta a população. Hospitais lotados, falta de leitos, faltam de médicos, de especialistas, hospitais sem as mínimas condições de atendimento a população. Demora no atendimento, dificuldade de acesso, pessoas morrendo nas filas de espera. Isso é que tem se transformado o SUS. Aqui no RS temos, dentro do SUS, um sistema unificado de atendimento que funciona assim – primeiro, é necessário tirar ficha em um posto de saúde (perto de sua casa), depois aguardar um mês ou mais para a primeira consulta. Realizada essa consulta que irá definir se haverá necessidade de uma segunda com um especialista, você vai para a central de marcação. Essa central marcará a consulta com o especialista e lhe avisará do dia e da hora. A principio, um sistema perfeito porque um posto de saúde perto de sua casa permitiria que o medico estivesse ambientado com moradores da região. Depois, a central de marcação ficaria responsável por lhe encaminhar a especialidade medica necessária. Mas vemos hoje, claramente que o SUS não funciona esta forma. Faltam médicos, boas condições de trabalho e interesse que este sistema funcione. Hoje, quem tem condições de pagar, tem plano de saúde. Um plano de saúde é a garantia de que você não vai morrer na fila de espera. Pelo SUS a marcação de uma consulta ao especialista pode demorar anos, ANOS. Para mim e também para muitos, virou matéria constante nos meios de comunicação, ver hospitais lotados e ultrapassados, médicos mal pagos, falta de especialistas. Bebes morrendo sem atendimento, idosos sendo carregados em cadeiras de rodas e permanecendo horas, dias na fila de espera aguardando um atendimento, na maioria das vezes, um péssimo atendimento. Claro que o governo sabe disso e atua (não com tanta pressa como deveria), tem o programa Saúde da família que faz parte de uma medicina preventiva. Existe também a figura do agente de saúde, uma pessoa que visita as famílias dando orientação de coisas básicas, como alimentação e saúde do bebe, procedimentos básicos de controle de saúde. Mesmo estes pequenos avanços sofrem boicote. Aqui na Prefeitura de Porto Alegre, o MP (Ministério Público) esta investigando o desvio de verbas do programa para outros fins, por parte das autoridades e empresa contratada.

O Brasil esta doente e com delírios de grandeza, nossos governantes brindam “índices econômicos” e esquece que a população precisa ter saúde de qualidade, escolas, universidades, comida na mesa. Nossos governantes esquecem que são eles, eleitos nas urnas pelo povo brasileiro, apenas gestores de uma quantidade imensa de dinheiro que não lhes pertencem, pertence a mim, a você e a todas as pessoas. Em cada caixa de fósforos comprada, pagamos impostos. O problema na realidade não é a falta de dinheiro para aplicar na saúde, mas sim no gerenciamento das verbas publicas. Graças a política neoliberal a palavra TERCEIRIZAÇAO, tomou destaques na forma de distribuição do dinheiro público, o que permite fraudes desvios de verbas por empresas contratadas para cuidar de algo que é obrigação do estado. Para mim de nada adianta saber que meu país será “A quinta economia do mundo” e que meus irmãos brasileiros morrem na fila de espera de um hospital.

O nosso país tem que parar de tapar o sol com a peneira – vivemos interligada, a palavra chave do nosso desenvolvimento não pode girar nas variantes de economia como o dinheiro por si só fosse resolver nossas principais debilidades, precisamos com urgência de uma boa e eficaz administração e gerenciamento das verbas publicas.