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quarta-feira, fevereiro 29, 2012

PAD, Programa de atendimento domiciliar, existe e funciona em Porto Alegre

Dona Estanislava Kila sendo atendida pela Dr Camila Giugliaani (médica de Família).
 Essa senhora da foto acima, dona Estanislava Kila, aposentada tem 95 anos, mora no quarto andar de um edifício no bairro Petrópolis. Com a idade avançada necessita constantemente de cuidados médicos. A família não tem plano de saúde e a solução encontrada foi recorrer ao posto de saúde UBS Santa Cecília aqui em Porto Alegre. Em caso do paciente ser impossibilitado de locomoção, profissionais como médicos, enfermeiros, nutricionistas realizam a consulta e todos os procedimentos na própria residência do paciente. 
   Foi através de uma dessas visitas que tomei conhecimento do excelente trabalho oferecido pelo SUS.  Estava presente quando a Dra Camila Giugliaani, médica de família, e a enfermeira Michele Antunes, visitaram Dona Estanislava. Pude presenciar o profissionalismo, a atenção, os exames e as orientações dadas tanto ao paciente como a própria família. Tinha ouvido falar desse programa mas jamais havia presenciado sua execução.
   A enfermeira Silvete Schneider, do posto de saúde UBS Santa Cecília, que lidera uma equipe explica que o PAD, Programa de Atendimento Domiciliar, que esta inserido em um Programa maior que é o Programa de Saúde da Família,sendo bastante procurado. A família agenda uma visita onde é realizado uma avaliação com uma equipe multidisciplinar  que avalia as necessidades do enfermo. Essa equipe pode ser composta , de médico, enfermeiro, nutricionista, também uma assistente social ( isso quando o paciente não tem um cuidador, um responsável pela pessoa debilitada). É um programa destinado a todos os impossibilitados de irem até um posto de saúde. Além das visitas, podem haver também a coleta para exames laboratoriais como sangue, urina, etc....
   De acordo com o Ministério da Saúde, a Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. De acordo com as diretrizes e procedimentos do MS estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta comunidade. 

  No entanto, devemos ficar alertas porque todo programa governamental não pode ser um projeto fechado Em Porto Alegre existem muitos postos de saúde que atendem a diferentes regiões, talvez até mesmo por situações adversas nem todos tenham uma equipe como o da Unidade Santa Cecília. Para que o atendimento seja de qualidade também necessitamos lembrar dos profissionais que desempenham estas funções, melhores salários, qualificação e também a contratação de novos servidores, devem sem dúvida alguma fazer parte dos objetivos do governo. 
   O PAD funciona, é viável e atende uma população que de outro modo seria muito difícil ter acesso aos serviços básicos de saúde. A manutenção do PAD contribui enormemente, principalmente porque trabalha desonerando a super lotação nos hospitais.

   Para saber mais detalhes sobre o Programa, procure o Posto e Saúde que atende a sua região, Porto Alegre, RS ou acesse o site do Ministério da Saúde para informações mais ampliadas sobre o PAD - Programa de Atendimento Domiciliar.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

SAÚDE PÚBLICA

Tenho percebido que a vida do brasileiro mudou. Vejo as pessoas com mais confiança no futuro. A situação financeira do país tem melhorado gradativamente. Nas lojas, os vendedores de eletro domésticos sorriem com muita satisfação, ao mesmo tempo em que todos os indicadores econômicos prevêem um Brasil que no futuro será a quinta economia do mundo. Boa noticia. Neste curto parágrafo a palavra chave girou em torno de economia. Mas eu me pergunto – é realmente a disponibilidade financeira em comprar bens de consumo que faz um país ser melhor ou pior que outro? Creio que não e pensando nisso me lembro de núcleos familiares onde famílias mesmo com situação precárias, porém unidas conseguiram sobreviver e alcançar a tão sonhada qualidade de vida. Esses núcleos, essas famílias tinham SAÚDE. Nosso país me lembra um velho abastado, porém fraco, decadente, doente.

No final da década de 80 foi implantado o SUS (Sistema Único de Saúde) que objetivava fornecer saúde a todas as pessoas independente de poderem ou não pagar por ela. Nessa fase eu me recordo que eu e minha família tínhamos a carteira do INAMPS. Todos os brasileiros viam a oportunidade de uma vida melhor através do SUS. O projeto de que todas as pessoas tenham acesso à saúde é fantástico, porém na prática o SUS recebe tanto boicote, que trás revolta a população. Hospitais lotados, falta de leitos, faltam de médicos, de especialistas, hospitais sem as mínimas condições de atendimento a população. Demora no atendimento, dificuldade de acesso, pessoas morrendo nas filas de espera. Isso é que tem se transformado o SUS. Aqui no RS temos, dentro do SUS, um sistema unificado de atendimento que funciona assim – primeiro, é necessário tirar ficha em um posto de saúde (perto de sua casa), depois aguardar um mês ou mais para a primeira consulta. Realizada essa consulta que irá definir se haverá necessidade de uma segunda com um especialista, você vai para a central de marcação. Essa central marcará a consulta com o especialista e lhe avisará do dia e da hora. A principio, um sistema perfeito porque um posto de saúde perto de sua casa permitiria que o medico estivesse ambientado com moradores da região. Depois, a central de marcação ficaria responsável por lhe encaminhar a especialidade medica necessária. Mas vemos hoje, claramente que o SUS não funciona esta forma. Faltam médicos, boas condições de trabalho e interesse que este sistema funcione. Hoje, quem tem condições de pagar, tem plano de saúde. Um plano de saúde é a garantia de que você não vai morrer na fila de espera. Pelo SUS a marcação de uma consulta ao especialista pode demorar anos, ANOS. Para mim e também para muitos, virou matéria constante nos meios de comunicação, ver hospitais lotados e ultrapassados, médicos mal pagos, falta de especialistas. Bebes morrendo sem atendimento, idosos sendo carregados em cadeiras de rodas e permanecendo horas, dias na fila de espera aguardando um atendimento, na maioria das vezes, um péssimo atendimento. Claro que o governo sabe disso e atua (não com tanta pressa como deveria), tem o programa Saúde da família que faz parte de uma medicina preventiva. Existe também a figura do agente de saúde, uma pessoa que visita as famílias dando orientação de coisas básicas, como alimentação e saúde do bebe, procedimentos básicos de controle de saúde. Mesmo estes pequenos avanços sofrem boicote. Aqui na Prefeitura de Porto Alegre, o MP (Ministério Público) esta investigando o desvio de verbas do programa para outros fins, por parte das autoridades e empresa contratada.

O Brasil esta doente e com delírios de grandeza, nossos governantes brindam “índices econômicos” e esquece que a população precisa ter saúde de qualidade, escolas, universidades, comida na mesa. Nossos governantes esquecem que são eles, eleitos nas urnas pelo povo brasileiro, apenas gestores de uma quantidade imensa de dinheiro que não lhes pertencem, pertence a mim, a você e a todas as pessoas. Em cada caixa de fósforos comprada, pagamos impostos. O problema na realidade não é a falta de dinheiro para aplicar na saúde, mas sim no gerenciamento das verbas publicas. Graças a política neoliberal a palavra TERCEIRIZAÇAO, tomou destaques na forma de distribuição do dinheiro público, o que permite fraudes desvios de verbas por empresas contratadas para cuidar de algo que é obrigação do estado. Para mim de nada adianta saber que meu país será “A quinta economia do mundo” e que meus irmãos brasileiros morrem na fila de espera de um hospital.

O nosso país tem que parar de tapar o sol com a peneira – vivemos interligada, a palavra chave do nosso desenvolvimento não pode girar nas variantes de economia como o dinheiro por si só fosse resolver nossas principais debilidades, precisamos com urgência de uma boa e eficaz administração e gerenciamento das verbas publicas.